terça-feira, 10 de maio de 2011

PROJETO (RE)DESCOBRINDO MORMAÇO






PROJETO (RE)DESCOBRINDO MORMAÇO






 
MINISTÉRIO
DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA
GESTAR
II – PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM
ESCOLAR
FORMAÇÃO
CONTINUADA DE PROFESSORES DOS
ANOS/SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
LÍNGUA
PORTUGUESA
SECRETARIA
MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA E
DESPORTO DE MORMAÇO/RS





PROJETO
DE FINALIZAÇÃO DO GESTAR II





TUTOR:
RUI CECCON
CURSISTAS:
ROSELI
CRISTINA VISOTO SCHIMITT
VERA
LÚCIA FURINI

2011

1.   DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:

1.1-      Escola: Escola Municipal de Ensino Fundamental
Antônio de Godoy Bueno e Escola Municipal José Rodrigues Cardoso
1.2-      Localização: Posse Godoy/ Mormaço/ RS e Água Branca/ Mormaço/RS
1.3-      Direção: Jones Berticeli Cerini  e Márcio Comin
1.4-      Ano: 2011.
1.5-      Coordenação: Professoras cursistas (Vera e Roseli)

2.   Tematica:

2.1-       (RE) Descobrindo Mormaço.

3.   Problemática:

      No trabalho realizado nas Olimpíadas de Língua Portuguesa em 2010, cujo tema era “O lugar onde vivo”, percebeu-se nos alunos desmotivação e pouca valorização ao local em que vivem, além de pouco conhecimento em relação às dimensões culturais, sociais, econômicas, naturais. Também há muita queixa que o material sobre os dados de Mormaço são imprecisos e pobres quanto a sua história. Dessa forma, sentimos a necessidade de trabalhar esse material já produzido sobre Mormaço e nele explorar os diferentes gêneros textuais, voltados para uma releitura, através da qual os alunos produzirão novos textos de diferentes gêneros, implicando em uma relação entre texto e contexto o que permitira uma reflexão sobre o “Lugar onde vivo”. Esse trabalho também permitirá associar os estudos do GESTAR II de Língua Portuguesa e seu conteúdo à prática pedagógica.

4.   Fundamentação teórica:

A quantidade e diversidade de gêneros de textos que circulam no cotidiano são crescentes, pois as necessidades da vida moderna são campo privilegiado para o surgimento, o desenvolvimento e a circulação dos gêneros textuais, o que faz com que o texto se vincule às condições do sistema sociocultural do qual se faz parte. Todas as informações constantes no texto encontram-se organizadas de modo a atender um objetivo de comunicação. Desse modo, os gêneros se manifestam e são reveladores das relações de poder que estruturam a sociedade e determinam os lugares sociais legitimados por um sistema. Compreender como esses textos se organizam e quefunção comunicativa exercem nas práticas discursivas é, mais do que uma necessidade, uma exigência, uma vez que o texto permeia grande parte das nossas ações discursivas na sociedade. A competência comunicativa consiste essencialmente em se comportar como convém nos múltiplos gêneros de discursos: é antes de tudo uma competência genérica. Ao tratar de gêneros, Fiorin (2004, p 02) diz que “são organizações relativamente estáveis caracterizadas por uma temática, uma forma composicional e um estilo”. As linguagens verbais que compõem esses gêneros, materializados em atos comunicativos inseridos em esferas de atuação discursivas específicas, acham-se presentes em seqüências textuais dominantes, que determinam tipos textuais predominantes. Fiorin (2004, p 05) esclarece: “Os tipos textuais são construções textuais que apresentam determinadas características lingüísticas. São bem poucos os tipos textuais: o narrativo, o descritivo, o expositivo, o opinativo, o argumentativo e o injuntivo”. E complementa: “Quando dizemos que o tipo textual é uma categoria mais geral do que o gênero, o que queremos dizer é que os gêneros fazem uso dos tipos na sua composição. Assim, um mesmo tipo é utilizado por diferentes gêneros” (Fiorin, 2004, p 05). Gênero e tipo, portanto, complementam-se na produção textual verbal para transmitirem uma mensagem para atingir determinado objetivo.
         Os princípios teóricos que norteiam este projeto está pautado na teoria sóciointeracionista da linguagem. Para Bakhtin (1992), a linguagem é analisada a partir da interação entre os indivíduos dentro de uma prática social; a língua falada tem vida e se transforma constantemente pelo próprio uso cotidiano, ela não pode ser separada do fluxo da comunicação verbal. Os indivíduos não recebem pronta para ser usada; eles penetram na corrente da comunicação verbal; ou melhor, somente quando mergulham nessa corrente é que sua consciência desperta e começa a operar. Os sujeitos não adquirem sua língua materna: é nela e por meio dela que ocorre o primeiro despertar da consciência.
         O trabalho com textos para Bakhtin está inteiramente interelacionado ao contexto social do aluno, “O escritor seleciona palavras não do dicionário, mas do contexto da vida onde as palavras foram embebidas e se impregnaram de julgamentos de valor” (Bakntin, apud Freitas, 1992, p. 127). Assim, os gêneros discursivos, por mobilizarem diferentes esferas da atividade humana, representam unidades abertas da cultura.
         Em relação à escrita Garcez (2001) diz que escrever é antes de tudo um exercício que só se aprimora com a prática constante atrelada indissociavelmente à prática de leitura. Leitura e releitura colaboram decisivamente para sensibilidade frente às melhorias cabíveis ao texto. Para Garcez, escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas
pessoas têm; é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo.
É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da  língua escrita. Para comunicarmos oralmente apoiamo-nos no contexto, temos a colaboração do ouvinte. Já a comunicação escrita tem suas especificidades, suas exigências. [...] Tratamos de forma diferente a sintaxe,o vocabulário e a própria organização do discurso. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. (Garcez, 2001, p. 6-7)
         Nessa perspectiva a opção de trabalho em sala de aula será a diversidade de Gêneros, uma vez que o projeto é interdisciplinar e o aluno estará ao mesmo tempo trabalhando vários textos de diferentes gêneros especificamente de leitura e produção de textos, que norteará o estudo e análise das de diversos gêneros textuais sobre o município de Mormaço, visto em um contexto global. Pois segundo Terra (202, p. 236), [...]produzir linguagem significa produzir discursos. Significa dizer alguma coisa para alguém, de uma determinada forma, num determinado contexto histórico. Isso significa que as escolhas feitas ao dizer, ao produzir um discurso, não são aleatórias – ainda que possam ser inconscientes - mas decorrentes das condições em que esse discurso é realizado. 
Visto dessa perspectiva, pode-se dizer que a linguagem é uma forma de interação. Assim sendo, o indivíduo, ao utilizar a linguagem, ao querer apenas transmitir informações ou exteriorizar seus pensamentos, é porque, na verdade, pela linguagem ele realiza ações e atua sobre o interlocutor(es), nesse contexto percebe-se a necessidade da fluência da língua nos mais diversos meios de interações sociais, adaptando-o de acordo com a situação sociocomunicativa, uma vez que este sujeito está inserido na sociedade e dentro de vários contextos, formal e informal.
Os PCNs recomendam que as práticas educativas devem ser organizadas de modo a garantir, que “os alunos sejam capazes de ler textos dos gêneros previstos para o ciclo, combinando estratégias de decifração com estratégias de seleção e antecipação, inferência e verificação”. (p.103).
Cabe, portanto, ao professor promover a ampliação desse contato com os mais variados  tipos de gêneros textuais, inclusive os orais e não-verbais, sugerindo aos educandos que os identifique e até mesmo que pesquisem, em seu contexto social e de vida, outros exemplos de textos representativos.
Koch(1997, p.13) em seu livro O texto e a construção dos sentidos diz que:
O que interessa, assim, ao estudo propriamente lingüístico são as formas de organização da linguagem para a realização de fins sociais (o que inclui, evidentemente, o estudo do sistema dos signos de que valemos). Isto é, seu objetivo é verificar como se conseguem realizar determinadas ações ou interagir socialmente através da linguagem.
O objetivo do ensino-aprendizagem da língua, portanto, é desenvolver nos alunos sua competência discursiva e a capacidade de compreender e produzir textos diversos, orais, escritos, de divulgação na sociedade de forma escrita, oral em vários suportes veicular (canal) e levá-los a perceber que todo o texto tem uma finalidade e uma intencionalidade e nesse projeto a intenção e reescrever a história de Mormaço, mostrando suas belezas, curiosidades, dados estatísticos e como interage no cenário global e as interferências que sofre, bem como valorizar o cotidiano.
5. Objetivos:

5.1-    Geral:
5.1-1.Trabalhar com gêneros textuais (leitura, produção e análise), desenvolvendo um processo de leitura e escrita, no qual o aluno perceba que os saberes trabalhados na escola estão presentes no contexto da vida cotidiana e assim (re) descobrir Mormaço em sua simplicidade e especificidade sociais, culturais, econômica e natural.

5.2-Objetivos específicos:
5.2-1.Lertextos de diversos gêneros veiculados na internet (INFORMATIVOS, HISTÓRICOS DE MORMAÇO, IMAGENS DE MORMAÇO, ESTATÍSTICOS, MAPAS).
5.2-2.Ler de textos informativos sobre Mormaço (EM MATERIAL IMPRESSO).
5.2-3.Analisar a informação e contexto, refletindo a realidade local e global.
5.2-4. Elencarpeculiaridades de Mormaço e documentá-las em fotos, textos, escolhendo o gênero mais adequado para divulgação e analisar as informações em textos já existentes na perspectiva dos estudos realizados no Gestar II.
5.2-5.Criarde umblog para armazenagem dos trabalhos realizados interligando-os através de links.
5.2-6.Editar a Wikipédia no espaço sobre o município de Mormaço.
5.2-7.Elaborar cartões postais bilíngües e publicá-los em forma de livro para doá-los as bibliotecas escolares e municipal.
5.2-8. Elaborar coletâneas de textos de acordo com os gêneros produzidos e publicá-los em coletânea para doação as bibliotecas escolares e municipal.(Lendas, epitáfios, Poesias gaúchas, paródias de músicas gaúchas, textos informativos, estatísticos, históricos)

6. Metodologia (etapas/ações):

6.1-    Inicialmente os alunos serão desafiados a buscarem informações sobre Mormaço nos aspectos sociais, culturais, econômicos, culturais e histórico, para tal fim serão divididos em grupos.
6.2-    Com os dados obtidos em sala de aula analizar-se-á a informação com o contexto,verificando se corresponde e levantado o que precisa ainda ser informado no aspecto histórico, social, econômico, cultural e das belezas naturais e curiosidades.
6.3-    A partir das necessidades elencadas, os professores de cada disciplina iniciarão o trabalho de busca e construção da informação, para tal serão buscadas fotos já existentes, tirado fotos novas, feito entrevistas, trazido a escola contadores de contos e lendas que não estão registradas. Também será feito visitas a locais que ainda não foram documentados como a Figueira, a voçoroca, as Estradas que passam no meio do cemitério, o paredão e os demais locais definido entre professores e alunos.
6.4-    Definido os locais, pessoas e propriedades a serem visitados, alunos farão as visitas, sendo que no caminho quando virem algo interessante ou que chama a atenção será fotografado. Nas propriedades será realizado entrevista a qual será gravada em forma de vídeo para posterior edição e material para entrevista escrita.
6.5-    De posse das fotos, entrevistas cada professor dentro de sua área de atuação iniciará a elaboração do material (vídeos, produção de textos, cartões postais, mapas...).
6.6-     Com editado, será criado o blog para divulgação e a edição da informação sobre mormaço na Wikipédia e preparados para apresentar no seminário de culminânciado Projeto em Agosto de 2011.
6.7-    Avaliação d oprojeto.

7. Cronograma:

      7.1-Abril: lançamento do projeto.
      7.2-Maio: Leitura e pesquisa de campo.
      7.3-Junho: Pesquisa de Campo e produção textual.
      7.4-Julho:Leitura, análise e produção textual e edição do material.
      7.5-Agosto:Leitura, análise e produção textual e edição do material e apresentação no seminário.

8. Equipe de trabalho:

8.1-    Professores de:
8.1-1.Letras(leitura, análise e produção de cartões postais, lendas, epitáfios, poesias gaúchas, paródias de músicas gaúchas, texto informativo e entrevista)
8.1-2.Artes(Construção de mapa e maquete, desenho de locais)
8.1-3.Espanhol(tradução dos textos dos cartões postais)
8.1-4.Agroecologia(Textos informativos e estatísticos do aproveitamento da terra)
8.1-5.Geografia(Analisar de texto em uma perspectiva de Mormaço para o mundo e do mundo para Mormaço)
8.1-6.História (Fatos históricos de Mormaço e do mundo e as conseqüências para um e para outro)
8.1-7.Ciências (Alimentação, fauna e flora, elementos químicos utilizados nos alimentos fertilizantes , doenças e alimentação saudável)
8.1-8.Matemática (Dados econômicos e estatísticos de Mormaço e estudo sobre hortaliças, quantidade necessária para cada pessoa e estimativa de produção, comparativo entre consumo, necessidade e produção)
8.1-9.Educação física (Jogos e passa tempo do passado e atuais)
8.1-10.            Ensino Religioso (Histórico das Religiões em Mormaço, numa perspectiva global).
8.2-    Alunos:
8.2-1.8ª série.
      OBS: Para a Língua Portuguesa, pois os demais professores trabalharão de acordo com o conteúdo previsto para cada série.


9. Avaliação:

9.1-    Produçãotextual (Cartões postais, textos informativos, contos, lendasepitáfios, poesias, entrevistas e outros materiais)
9.2-    Apresentações no seminário.
9.3-    Adesão dos alunos.
9.4-    E demais critérios a serem definidos.

10.Referências bibliográficas:
BARCELLOS, Renata da. Projeto Pedagógico interdisciplinar. Disponível em: http://www.filologia.org.br/cluerjsg/anais/iv/completos/minicurso/Renata%20da%20Silva%20de%20Barcellos.pdf.
Acesso em: 20 fev. 2011.

BORBATO, Silviane Bonaccorsi. Programa Gestão de aprendizagem Escolar- Gestar II. Língua Portuguesa: Cadernos de Teoria e Prática. Brasilia: Ministério da Educação, SEB, 2008.

BORBATO, Silviane Bonaccorsi. Programa Gestão de aprendizagem Escolar- Guia Geral. Brasilia: Ministério da Educação, SEB, 2010.

FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. 8. ed. São Paulo: Ática, 2004

FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Psicologia e educação: um intertexto. Tese de Doutorado, PUC/RJ, 1992.

GARCEZ, L. H. do C. Técnicas de redação: o que é preciso para saber escrever bem. São Paulo: Martins Fontes,
2001.

GERALDI, João Wanderley (Org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Assoeste, 1987

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.

PCN +Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, códigos e suas tecnologias/Secretaria
de Educação Média e Tecnológica. Brasília: MEC; SENTEC, 2002.

ROSSI, M. A. G. G.. Gêneros discursivos no ensino de leitura e produção de texto. Londrina: Unigraf, 2005.

TERRA, Ernani. Português para todos. São Paulo: Scipione, 2002.



MORMAÇO